20/05/2017

SOMOS NÓS QUE VAMOS TORNAR ESTE PROCESSO NUMA FESTA

SOMOS NÓS QUE VAMOS TORNAR ESTE PROCESSO NUMA FESTA
Lobito, 20.05.2017

Domingos Kim Zeca, do ISP Maravilha, em Benguela, ao referir-se ao actual processo eleitoral, espera “que todos nós assumamos este processo e este momento que o país está a viver, como sendo um processo nosso e um momento nosso".

"Somos nós que vamos tornar este processo numa festa e a ideia tem que ser essa, transformarmos este processo numa festa de tal forma que saiamos todos a ganhar, porque só nós é que vamos ganhar”, prosseguiu Kim Zeca, acrescentando que “é um processo que vai fazer com que nós atravessemos mais uma etapa e se nós sairmos com êxito desta etapa, então ganhamos todos, porque nos tornamos mais maduros, nos tornamos mais amigos uns dos outros e acabamos por passar a mensagem para as outras sociedades que nós também podemos fazer coisas boas”.

EXERÇAMOS UM VOTO CONSCIENTE E DE FORMA TRANQUILA, COM PAZ

EXERÇAMOS UM VOTO CONSCIENTE E DE FORMA TRANQUILA, COM PAZ
Lobito, 20.05.2017

Victorino Roque, docente universitário em Benguela, exorta a todos os angolanos “que nas eleições que se avizinham possam exercer o seu direito de voto”.

Para este docente universitário de Benguela, “é a partir do exercício do direito de voto que pode-se decidir o destino do país. A vida do país só terá um bom curso se nós enquanto cidadãos, conseguimos responder com aquilo que são as nossas exigências. Queremos ter um país melhor, de certeza, e para o efeito é necessário que exerçamos esse direito e que este direito seja exercido com bastante responsabilidade e que acima de tudo se olhe para aquilo que são os desafios que o país em si encerra”.

O docente universitário exorta ainda para que “exerçamos um voto consciente e de forma tranquila, com paz, sem investir em processos que possam macular a nossa paz. Vamos votar, votemos sim com responsabilidade, com seriedade e acima de tudo continuando a tal paz e tranquilidade que se espera no nosso país.”

QUE AS ELEIÇÕES EM ANGOLA SEJAM CADA VEZ MAIS TIDAS COMO EXEMPLO DE ESTABILIDADE


QUE AS ELEIÇÕES EM ANGOLA SEJAM CADA VEZ MAIS TIDAS COMO EXEMPLO DE ESTABILIDADE
Lobito, 20.05.2017

“Consciencialização da juventude de forma particular e da nossa população de forma geral sobretudo a este momento que antecede as eleições”, é o que Cristiano Fernandes, funcionário da direcção provincial da Juventude e Desportos de Benguela, considera importante.

Para este cidadão, “a fase antes, durante e depois das eleições, são fases que nós, enquanto cidadãos, temos que fazer valer a nossa postura cívica, o respeito entre uns e outros, respeitando as escolhas, claro está, e fazer com que as eleições em Angola sejam cada vez mais tidas como exemplo de estabilidade, exemplo de concórdia, unidade entre os angolanos”.

Por último, considerou que “nós vamos entrar para a festa da democracia mais uma vez, agora em Agosto, dia 23, e queremos nós que o processo corra da melhor forma possível e para isso tem de depender muito do espírito de paz que cada um de nós tem que cultivar, entre irmãos, entre amigos, entre vizinhos, entre colegas e chegarmos no dia das eleições, cada um de nós preparado para fazer o voto acertado naquele candidato do partido que ele acha convincente para a governação de Angola nos próximos anos.”

SEM PAZ NÃO PODEMOS VIVER


SEM PAZ NÃO PODEMOS VIVER
Lobito, 20.05.2017

A OMUNGA ouviu a directora do ISP Maravilha, em Benguela, Alba Maria, sobre o processo eleitoral. A académica considera que “neste momento em que se estão criando as condições para se fazer as eleições para a nova presidência, devemos pensar em toda a trajectória do povo angolano, como é que tem sido, quanto tem custado ter a paz e pensar em preservá-la que é muito importante. Sem paz ninguém pode viver!”

Adiantou ainda que devemos “pensar o que é verdadeiramente melhor para o país, para todos nós, rever, sobretudo as prioridades e que possamos apoiar aquele candidato que verdadeiramente, que nos discursos que estão pronunciando, aponta para resolver as problemáticas que há muito tempo estão pendentes. Mas tudo isto sobre a base da conversa, da negociação, do diálogo.”

A directora do Maravilha, apelou à tolerância e respeito pela diferença, mas também chamou à atenção para as “pessoas oportunistas, as pessoas que estão vendo só para o lado de como podem ter algum ganho, façamos as coisas com responsabilidade.”

07/05/2017

“TEMOS MUITOS IRMÃOS NO CENTRO DA CIDADE A SOFREREM”

Gaby (à esquerda) dialogando com uma delegação de visitantes ao 16 de Junho

“TEMOS MUITOS IRMÃOS NO CENTRO DA CIDADE A SOFREREM”
Lobito, 07.05.17

Jorge de Lemos, conhecido por “Gaby”, é hoje o vice-coordenador da comissão de moradores do 16 de Junho. E conta como surgiu esta comunidade.

Segundo o Gaby, “o ‘centro 16 de Junho’ surge por causa dessa história toda. Primeiro era o OKUTIUKA, ou primeiro vivíamos em paradas, depois de vivermos em paradas fomos pró OKUTIUKA, depois do OKUTIUKA, deixámos o OKUTIUKA voltámos de novo em paradas, depois da parada nasceu a ‘Pousada da Criança’, só depois da ‘Pousada da Criança’ surge o ‘centro 16 de Junho’.

Para o Gaby, existe uma lógica para o surgimento do ‘centro 16 de Junho’. Questiona “o ‘centro 16 de Junho’ surge porquê?” e continua “o ‘centro 16 de Junho’ surge porque nós vivíamos no centro da cidade e o banco BNA estava numa fase de ser reabilitado. O governo municipal do Lobito decidiu que nós não que nós não poderíamos permanecer no centro da cidade, visto que aquele banco ia sofrer reestruturação, automaticamente fomos transferidos para aqui”.

O Gaby conta que (no 16 de Junho), eles próprios “tinham posto tendas” e depois é que subiram.

Permaneceram nas tendas durante muito tempo, 4 ou 5 anos. Disse que ainda quando estavam no centro da cidade, “o governo municipal já alegava muita coisa. Que lá já tem um contentor de chapa, que lá já tem um contentor de cimento, os terrenos estão marcados, é só vocês subirem, cada um vai receber o seu equipamento para executar a sua casa. Só que chegados aqui no terreno, era diferente. Nós encontrámos tendas”.

Para ele, a concretização das concretizações deveu-se essencialmente graças à luta que envolveu a sociedade civil e isto chamou à atenção “de outras forças políticas”. É de lembrar que se estava em época de eleições. Aproveitando essa altura, conforme nos conta, “fizemos um documento a marcar uma audiência com o ex governador da província de Benguela, Armando da Cruz Neto, Ele aceitou o documento, pedimos que ele viesse visitar a nossa comunidade, ele veio, visitou a nossa comunidade, mostrámos as nossas preocupações”. Só assim é que “o sonho começou a se realizar, depois do governador estar aqui presente, ele fez promessa de que iria construir as casas e o que ele disse realmente mostrou em prática, trouxe o projecto aqui, para nós e construíram as casas”.

Para o Gaby, é uma luta que durante anos mas não chegou ainda ao fim já que “temos muitos irmãos no centro da cidade a sofrerem. Não me sinto feliz hoje por ter a minha casa, porque vejo ainda muitos dos meus irmãos a sofrerem”.

Jorge Lemos aproveitou ainda para deixar uma recomendação à administração municipal do Lobito e ao governo provincial de Benguela para que “revejam aqueles planos, aqueles assuntos que já tivemos e que muitos deles não foram concluídos, principalmente o que toca às construções. Na altura se falou de 150 casas, hoje nós temos 88 casas.”
Acredita que se o governo construir as 62 residências prometidas e em falta, podem “beneficiar outros irmãos nossos que estão a sofrer”.

Acompanhe a entrevista completa:


"A VIDA ERA MUITO DIFÍCIL"

Crianças no 16 de Junho
“A VIDA ERA MUITO DIFÍCIL”
Lobito, 07.05.17

O ‘centro 16 de Junho’ é hoje uma comunidade localizada no Bº 27 de Março, na zona alta da cidade do Lobito. É constituída essencialmente por antigas crianças de rua.

Por este motivo, pelo seu historial e conquistas, merece uma atenção especial já que também, foi o primeiro, e é o único em Angola, bairro social construído com recursos públicos direccionado especificamente para comunidades carentes sem tecto.

Alberto José Correia, conhecido por Beto, actual líder da comissão de moradores, falou-nos do tempo que, enquanto criança, deambulava e vivia, pelas ruas do Lobito, “a vida era muito difícil”.

“Eu e outros irmãos não tínhamos um paradeiro para dormir, um paradeiro fixo para dormirmos. Nós dormíamos em paradas, dormíamos em focos, e essas paradas eram maioritariamente as ruas, como por exemplo as cadeiras do mercado municipal, as escadas dos prédios, algumas padarias que nós às vezes conversávamos com os guardas e eles nos possibilitavam pernoitar lá nas próprias padarias”.

Beto lembra-se da “correria tremenda”, porque não havia sossego, já que para dormir tinham que estar sempre atentos “com a polícia, por um lado” e por outro com as chuvas.

O Mercado Municipal era o local do encontro. “Era lá onde nós fazíamos a nossa vida, era lá onde fazíamos a lavagem dos carros, era lá.... quer dizer, era o nosso ponto de partida para outros sítios”.

Os contactos com a OMUNGA, na altura ainda um projecto do OKUTIUKA, eram feitos “ainda mesmo nas paradas. Nós ainda estávamos mesmo nas paradas e foi a partir dali que a OMUNGA, essas pessoas vinham e ficavam, conversavam connosco ali e nos aconselhavam, procuravam viver os nossos problemas e também conseguiam, algumas vezes, fornecer algum vestuário e às vezes papas também”, lembra o Beto.

Beto explica como foi o processo até chegar ao 16 de Junho, onde primeiro foram colocados “num espaço na Restinga, numa sala bem grande e que era da actual Casa Inglesa”. Era o espaço que a “OKUTIUKA tinha encontrado e onde passávamos todos, a noite ali, já com, digamos, segurança” lembra o actual líder do 16 de Junho, “digamos com segurança, porque nós naquela altura já tínhamos um abrigo, quando antes disso não tínhamos, dormíamos na rua”.

Já em relação à fase da luta da ‘Pousada da Criança’, Beto não consegue explicar bem porque, segundo ele, “a OMUNGA forma um grupo de 6 elementos, onde eu estava presente, que fazem parte do grupo de jornalistas que produziam o jornal ‘Os Nossos Mambos’, no Lobito, então nessa altura eu já tinha, digamos que eu já tinha dado um salto na vida, já não vivia directamente, ou a 100% na rua, já tinha alugado uma moradia e já vivia a minha vida”. No entanto, afirma que, em relação a essa fase o que sabe é que “a grande luta era que todos os moradores de rua tivessem moradia segura”.

Refere-se no entanto, que a referida ‘Pousada da Criança’, localizada no centro da cidade ao lado do Banco Nacional de Angola, “era um sítio que também não era seguro, o pessoal vivia em cabanas, cubatas e por aí fora e mesmo quando chovia também não garantia segurança tanto mais que houve vários incêndios na própria ‘Pousada da Criança’. Então ali começou a luta da OMUNGA em negociar com o Estado, ou exigir ao Estado em construir-se assim as moradias condignas, que são estas onde hoje muitos estamos.”

Acompanhe a entrevista completa.

QUEREMOS CHEGAR NAS ELEIÇÕES COM PAZ E O CORAÇÃO LIMPO


QUEREMOS CHEGAR NAS ELEIÇÕES COM PAZ E O CORAÇÃO LIMPO
Lobito, 06.05.2017

As autoridades tradicionais do Caimbambo, lançaram as suas mensagens de paz, tolerância e participação cívica nas eleições de 2017. Ouvidos pela OMUNGA, através do projecto “Eleições Livres Já!”, disseram que “cada pessoa deve reflectir em quem vai votar, qual é o caminho que deve escolher e qual é o partido certo para governar. Nós sabemos que cada pessoa conhece o seu caminho, ou por onde passa.”

Num apelo à participação de todos, disseram que “os mais velhos têm andado sempre atrás dos jovens para que se registem e tenham o cartão de eleitor para votarem.”


HIP HOP VAI AO CAIMBAMBO APELAR À TOLERÂNCIA POLÍTICA


HIP HOP VAI AO CAIMBAMBO APELAR À TOLERÂNCIA POLÍTICA
Lobito, 07.05.2017

É já no próximo dia 12 de Maio, pelas 15 horas, que se realizará no campo de futebol de salão do Caimbambo, o espectáculo do Hip Hop “Tolerância, Paz e Respeito à Diferença”.

Foram convidados para o concerto, rappers do Lobito, Caimbambo, Huambo e Luanda.

Deverão ser dirigidas mensagens de paz e tolerância, dos partidos políticos, das igrejas, autoridades tradicionais e instituições públicas.

A actividade é uma iniciativa da OMUNGA dentro do projecto “Eleições Livres Já!”, que se desenvolve sob o lema “O Meu Voto É Sério” e que conta com o apoio do NED, OSISA e Embaixada do Canadá.

Vamos todos participar.


06/05/2017

KALUPETEKA APELA PARA A SUA TRANSFERÊNCIA PARA O HUAMBO

José Julino Kalupeteka (foto obtida no Google)

KALUPETEKA APELA PARA A SUA TRANSFERÊNCIA PARA O HUAMBO
Lobito, 06.05.2017

No pretérito dia 4, representantes da AJS, OHI, OMUNGA e Movimento Revolucionário de Benguela, realizaram mais uma visita à penitência de Benguela, com o propósito de manterem o acompanhamento de José Julino Kalupeteka.

Antes de manterem o contacto directo com o recluso, a equipa foi recebida pelo director da instituição, António Adriano, que salientou estarem a fazer o maior esforço possível no sentido de garantirem melhor segurança ao recluso.

Posteriormente, Alfredo Eculica, chefe de inspecção provincial dos serviços prisionais de Benguela, mostrou descontentamento pela notícia publicada pelo Club-k com informações sobre a visita realizada no dia 23 de Fevereiro de 2017, pelo facto de não constar com as informações da conversa da visita; a foto usada na notícia não ser uma foto recente do recluso; a notícia deu a impressão que o recluso contraiu os problemas de gastrite naquele estabelecimento, o que não corresponde à verdade já que o mesmo tinha a referida doença mesmo antes de ser preso.

Nelson Mussungo, chefe de reabilitação penal, salientou que não tem havido impedimentos nas visitas ao recluso, incluindo as filhas de Kalupeteka.

A equipa considerou que Kalupeteka apresentava melhor aspecto comparativamente com a visita anterior, que foi confirmado pelo próprio, ao esclarecer que já não tem sentido dores do estômago, uma vez que agora têm autorizado as suas filhas a entregar-lhe comida, três vezes ao dia, conforme lhe é receitado.

Kalupeteka garantiu que tem estado diariamente com as filhas que já têm permissão para lhe fazer a entrega da comida, mas por falta de documentos pessoais, continuam a não ter autorização para terem acesso à sala de visitas, conforme esclareceu o reeducador Nelson Mussungo. Segundo este, devido a esta situação, as filhas de Kalupeteka poderão passar a ter acesso ao sector de reeducação e assim conversarem com o seu pai, mas na presença de um reeducador.

Mais uma vez, Kalupeteka solicitou o apoio para que possa ser transferido para a penitenciária do Huambo. Conforme já tinha exposto na visita feita pela comitiva da sociedade civil, em 23 de Fevereiro, o clima quente e húmido de Benguela, não ajuda na sua condição de saúde. Por outro lado, não tem familiares em Benguela, pelo que as filhas tiveram que alugar um espaço onde permanecem e não têm fontes de sobrevivência.

De acordo às informações prestadas pelo chefe provincial da inspecção dos serviços prisionais, a referida transferência não foi efectuada por questões de segurança, já que considerou que Kalupeteka possa estar em risco de vida.

As organizações da sociedade civil, concluíram no entanto que devem intervir junto da direcção provincial e da direcção nacional dos serviços prisionais no sentido de se analisar a melhor forma para que se possa realmente efectuar a transferência de Kalupeteka em condições de segurança.

Acompanhem as palavras de Livulo Prata, membro do Movimento Revolucionário de Benguela e que integrou a comissão que visitou Kalupeteka.


04/05/2017

QUE A VOTAÇÃO RESULTE DE TOMADAS DE CONSCIÊNCIA DE TODOS OS CIDADÃOS


QUE A VOTAÇÃO RESULTE DE TOMADAS DE CONSCIÊNCIA DE TODOS OS CIDADÃOS
Lobito, 04-05-2017

Em entrevista à equipa da OMUNGA, Édio Martins, Director Geral do ISP Lusíada de Benguela, começou por dizer, referindo-se à realização das próximas eleições, que “para já cumpre-se uma das dimensões principais da democracia, que é a necessidade do poder, do governo, dos órgãos de soberania, serem legitimados através do voto popular.

Isto é o aspecto central, fundamental, de qualquer democracia moderna e por isso o acto eleitoral, as eleições, fazem parte desse processo e sinto-me satisfeito, sinto-me reconhecido enquanto cidadão nacional, pela possibilidade de haver eleições e poder votar”.

O académico reconheceu que “os momentos de eleições são sempre como o início do ano lectivo, é o início sempre de um ciclo e há sempre expectativas que com este início de ciclo, haja possibilidade de alguma das esperanças concretizarem, algumas das situações que não se conseguiram resolver no passado, se possam resolver, ou pelo menos iniciar a sua solução, a sua resolução e possa por isso haver o incremento de muitas das situações que são expectantes, esperadas pela sociedade em geral, sobretudo pelas componentes mais frágeis da sociedade que revejam-se nesse início de ciclo, em novas oportunidades e que a esperança ao ser renovada, que seja mais do que isso e que se confirme pela efectiva melhoria da qualidade de vida”.

Falando de si, disse: “Eu tenho expectativas, tenho grande esperança de que isso possa acontecer. Sei, sabemos, que não acontecerá de um dia para o outro, mesmo nesta renovação de ciclo, há de facto uma situação de conjuntura que não é muito favorável, mas os grandes homens, as grandes nações, os grandes povos sobretudo conseguem afirmar-se é na capacidade de ultrapassarem as crises e acho que é uma boa oportunidade para nos revermos neste processo”.

Édio Martins reforçou a ideia de que as eleições já deveriam fazer parte do ciclo normal da vida dos angolanos e por isso já não se devia fazer tanto alarido à volta das mesmas, tendo afirmado que “até, independentemente da vontade de cada um e do interesse de cada um daquilo que seja o resultado das eleições, eu acho quase não devia-se falar de eleições, isto porquê(?), é o normal. As coisas normais não se falam. Estamos a falar muito em eleições, parece que é uma excepcionalidade, é algo muito excepcional, mas não é. Estava previsto, está dentro do cíclo eleitoral. O nosso regime prevê eleições que simultâneamente servem para a Assembleia Nacional e para o Presidente da República, de acordo ao nosso quadro constitucional e por isso é normal”.

Acredita, no entanto que deve haver muito trabalho de educação cívica eleitoral, “divulgar informação, fazer com que todo o cidadão nacional esteja informado dos seus direitos, dos seus deveres, daquilo que são as suas expectativas, as suas esperanças e que haja o máximo de cidadãos a votarem, haja o máximo de representatividade a votar, porque isso dá maior legitimidade”.

Concluiu o desejo de “que essa votação resulte de tomadas de consciência, informadas de todos os cidadãos. Se assim acontecer, só temos que estar todos felizes, independentemente do resultado, poder ou não, ser de acordo à nossa própria vontade”.

Édio Martins prestou estas declarações à margem do Quintas de Debate de 20 de Abril, organizado pela OMUNGA sobre o tema “O papel da Sociedade Civil no Processo de Paz”, em que vou prelector o Reverendo Ntoni-Zinga.


28/04/2017

INTOLERÂNCIA POLÍTICA EM ANGOLA NUNCA ACABOU - INTOLERÂNCIA É A MANEIRA COMO OLHAMOS O OUTRO: Rev. Daniel Ntoni-Zinga


INTOLERÂNCIA POLÍTICA EM ANGOLA NUNCA ACABOU - INTOLERÂNCIA É A MANEIRA COMO OLHAMOS O OUTRO: Rev. Daniel Ntoni-Zinga
Lobito, 28-04-2017

O Reverendo Ntoni-Zinga esteve na cidade do Lobito onde orientou uma das edições do Quintas de Debate que se realizou a 20 de Abril e onde falou sobre a “Participação da Sociedade Civil no Processo de Paz.”

No final da sessão, Ntoni-Zinga falou para a equipa da OMUNGA onde expressou que “intolerância política em Angola nunca acabou”.

O reverendo argumentou que “temos definido a intolerância duma maneira que não é correcta”. Acrescentou ainda que “não devemos falar de intolerância apenas quando alguém fala ou faz algo mais violento”.

Para Ntoni-Zinga, “intolerância é tudo que eu faço que dificulta o outro a actuar como deve ser, cumprir com a sua tarefa de cidadania”. Reforçou ainda que, “intolerância não é apenas de alguém bater, ou alguém proibir, mas é a maneira como olhamos no outro. Olhar no outro como adversário, é normal, mas tentar ignorar que existe já é intolerância”.

27/04/2017

O LIXO TAMBÉM SERVE PARA ALGUMA COISA


O LIXO TAMBÉM SERVE PARA ALGUMA COISA
Lobito, 27-04-2017

O atelier “Era Uma Vez”, em Benguela, foi mais uma vez alvo de visita acompanhada de alunos de escolas primárias públicas do Lobito, envolvidos no projecto OKUPAPALA, apoiado pela embaixada do Canadá.

Desta feita, a 7 de Abril, 21 crianças, entre as quais 10 meninas, da escola Mutu-ya-Kevela, Bº da Luz, Lobito, visitaram o referido atelier, onde puderam ter informações e contactos com materiais reciclados ou reutilizados.

Edna Kioka, proprietária do “Era Uma Vez”, no final da visita, reforçou que “é preciso urgente pensar que não faz sentido nos dias de hoje não haver qualquer tipo de programa, no país, sobre a reciclagem”.

Já Laurinda Kalandula, uma das crianças que visitou o atelier, disse que “aprendeu que não se deve deitar o lixo também serve para fazer alguma coisa”.

Outra aluna, Maya Josefina, na altura considerou que “quando temos alguma coisa não devemos deitar, devemos reciclar”, enquanto o aluno António Lourenço disse que o lixo pode “ser útil para outras coisas”.

CRIANÇAS DE ESCOLAS PÚBLICAS CONTINUAM SUAS ACTIVIDADES EM OFICINAS EXTRA-ESCOLARES

CRIANÇAS DE ESCOLAS PÚBLICAS CONTINUAM SUAS ACTIVIDADES EM OFICINAS EXTRA-ESCOLARES
Lobito, 27-04-2017

Em Fevereiro deste ano, a OMUNGA arrancou com um projecto, dentro do OKUPAPALA, e apoiado pela embaixada do Canadá, de actividades extra-escolares que se propõem a promover a consciência ambientalista e cidadã.

Dentro das actividades, realizam-se oficinas temáticas, visitas de interesse, excursões, apresentações e debates.

O projecto envolve as direcções escolares, os professores e os encarregados de educação que participam na organização e implementação das referidas actividades.

Foi assim que a OMUNGA ouviu inicialmente as expectativas das crianças.


Ao fim de dois meses de arranque dos trabalhos, a OMUNGA ouviu a opinião de monitores das oficinas de jornalismo que fizeram a sua avaliação.

Livulo Prata, um dos voluntários, acha que “gradualmente vai-se notando que as crianças, aquilo que têm aprendido, têm posto em prática, porque é notório que sempre que damos aulas, antes de começar, fazemos a retrospectiva da aula anterior. Isto faz-me ter uma avaliação positiva e gradual.”

O activista considera também que o envolvimento dos pais é importante ao considerar que “quando se fez a visita às casas dos pais, em que os pais dizem que eles quando chegam em casa, os alunos, os seus filhos conseguem explicar aquilo que tem sido as aulas”.

Disse ainda que “os pais dizem que quando os filhos chegam em casa, perguntam, onde estavam, os filhos dizem que estavam na formação e acabam por dizer, fazem a retrospectiva aos pais [sobre] aquilo que tem sido a formação aqui na OMUNGA”.

Segundo Livulo Prata, as crianças, “mesmo não tendo material, pegam nos telefones dos pais, ou uma lata, parecendo ser um gesto de demonstração, pegam aquilo como se fosse câmara e fazem esse exercício lá no bairro”.

Para o monitor da oficina de vídeo/jornalismo na escola do Ngolo D’areia, “fruto disto, os pais demonstraram também de querer ter uma formação na presença dos filhos”.


Já para Eduardo Ngumbe, o facilitar da oficina de vídeo/jornalismo na escola do Bº 27 de Março, considera ser difícil “fazer-se um jornalista sem que saiba manusear um computador”. Por isso, considerou que “a OMUNGA dentro do seu quadro de programas que antes, com as crianças era de jornalismo e vídeo participativo, achou por bem acrescentar mais a formação de computador. Eles têm que ter o ABC do computador para que desde tenra idade aprenderem o uso desta ferramenta para que não lhe seja novidade no futuro próximo”.

Os activistas da OMUNGA tentaram também ouvir as crianças que disseram que estão a aprender “o teclado e o computador que faz investigar na internet”.

O GOVERNO É O PRINCIPAL RESPONSÁVEL PELAS CONDIÇÕES DE TOLERÂNCIA E DE PAZ NO PROCESSO ELEITORAL 2017


O GOVERNO É O PRINCIPAL RESPONSÁVEL PELAS CONDIÇÕES DE TOLERÂNCIA E DE PAZ NO PROCESSO ELEITORAL 2017
Lobito, 27.04.2017

“Eleições Livres Já!” é um projecto da OMUNGA que pretende monitorar o processo eleitoral 2017, dando uma abordagem sobre a tolerância política, a paz e a não violência.

Foi assim que ouviu Augusto Nelehon, 1º secretário municipal da UNITA no Lobito que nos disse que o processo “tem que ter a envolvência de muita gente, as igrejas, mas também o governo tem que fazer um grande esforço.”

Para este dirigente político, “quem controla o Estado é o governo, ele é que tem as forças armadas, ele é que tem a polícia.”

Por isso apela para que realmente se trabalhe para que “o povo angolano tenha efectivamente o sossego.”

O projecto “Eleições Livres Já!” é apoiado pela NED e OSISA. A OMUNGA representa em Benguela, a coordenação do Observatório Eleitoral Angolano (OBEA) uma plataforma da sociedade civil que desenvolve acções de educação cívica e observação eleitoral.

OS PARTIDOS POLÍTICOS DEVEM TER UMA MENSAGEM SÉRIA – DEVEM TER CONFIANÇA NA SUA PRÓPRIA MENSAGEM: REVERENDO NTONI-ZINGA


OS PARTIDOS POLÍTICOS DEVEM TER UMA MENSAGEM SÉRIA – DEVEM TER CONFIANÇA NA SUA PRÓPRIA MENSAGEM: REVERENDO NTONI-ZINGA
Lobito, 27-04-2017

O Reverendo Ntoni Zinga esteve no Lobito a convite da OMUNGA para participar numa edição do Quintas de Debate, realizada a 20 de Abril, no Instituto Politécnico Lusíada, onde falou sobre o “Papel da Sociedade Civil no Processo de Paz”.

Depois da actividade, o reverendo deixou a sua mensagem de paz para o processo eleitoral 2017 onde realçou que [os partidos] devem ter “uma mensagem séria e confiar naquilo que eles pensam fazer para o país, devem ter confiança na sua própria mensagem, na sua própria posição.”

Alertou ainda que é uma perda de tempo ficarem apenas a falar mal uns dos outros mas “passar a mensagem, dizerem como pensam que o país deve ser”.

Ficou claro que é altura dos partidos políticos preocuparem-se mais, para além de esclarecerem sobre os seus sonhos para Angola, principalmente com “o como pensam fazer para o país ser aquilo que pensam que deve ser”.

18/04/2017

PGR ABRE PROCESSO DE INVESTIGAÇÃO SOBRE VIOLÊNCIA POLICIAL CONTRA MANIFESTANTES DE LUANDA E BENGUELA


PGR ABRE PROCESSO DE INVESTIGAÇÃO SOBRE VIOLÊNCIA POLICIAL CONTRA MANIFESTANTES DE LUANDA E BENGUELA
Lobito, 18-04-2017

Hoje 18 de Abril de 2017 a Associação Omunga através do seu representante em Luanda, foi ouvida pela digníssima procuradora Drª Elizeth Paulo junto dos serviços de investigação criminal (SIC) devido à participação crime endereçada à PGR.

Na participação crime consta a Repressão Sangrenta contra os manifestantes, ocorrido nas cidades de Luanda e Benguela no dia 24 de Fevereiro de 2017.  De salientar que os organizadores, pretendiam nessa data, exigir a demissão de Bornito de Sousa do cargo de Ministro a Administração do Território do Governo de Angola, considerando que existe incompatibilidade com a sua possível inclusão na lista de candidatos do MPLA às eleições de 2017.

Por sua vez, a OMUNGA tomando conhecimento da acção perpetrada pela policia nacional contra os manifestantes das duas cidades, ambos do movimento revolucionário, endereçou uma carta datada de 28 de Fevereiro do corrente ano ao Procurador-Geral da República no sentido de investigar e consequentemente a abertura de um processo crime.

Foi aberto hoje um processo crime com o número 777/17-A.  Inicialmente a digníssima procuradora ouviu apenas o Sr. João Malavindele Manuel como activista e representante da OMUNGA em Luanda que se fez acompanhar de provas que demonstra a violência ocorrida durante a manifestação. Quanto aos lesados e aos organizadores das manifestações serão notificados para prestarem declarações e ao mesmo tempo apresentarem outras provas que podem fazer parte do processo.


De acordo com a disponibilidade da digníssima procuradora, no dia 25 do corrente mês deverá receber em audiência os lesados ou testemunhas (da manifestação de Luanda) mediante a confirmação dos mesmos, enquanto que para os lesados ou testemunhas de Benguela serão ouvidos a nível local com a anuência de Luanda.

14/04/2017

DOMINGAS JORGE CONTINUA A RECLAMAR DA ADMINISTRAÇÃO DO LOBITO


DOMINGAS JORGE CONTINUA A RECLAMAR DA ADMINISTRAÇÃO DO LOBITO
Lobito, 14-04-2017

Em meados de Março, depois de uma chuva, uma árvore da via pública tombou, destruindo parcialmente o muro da residência nº 10, localizada na rua da Bolama, Bº da Luz, na cidade do Lobito.

A proprietária da referida residência, solicitou a intervenção da administração municipal mas sem qualquer resultado, no início. A referida árvore tombada que se apoiava no telhado tinha também o seu peso sobre os cabos eléctricos da iluminação pública e sobre o gradeamento do muro. A situação em que se encontrava colocava em perigo os moradores e peões.

Depois de muita insistência e da OMUNGA ter solicitado a intervenção da administração para a remoção da referida árvore sobre a residência, que veio a ocorrer cerca de um mês depois, deixando assim de ser uma ameaça.

Infelizmente, os trabalhadores dos serviços comunitários, deixaram no passeio o tronco, considerando ser uma responsabilidade dos moradores retirarem agora o tronco.

Domingas Jorge chama à responsabilidade da administração municipal do Lobito para que retire o tronco caído e que faça uma inspecção às demais árvores, já que na sua opinião, "existem outras árvores na rua em eminência de caírem, declarando que “depois de 20 dias é que vieram aqui bem nervosos e ainda tiveram coragem de me perguntar se a senhora tem dinheiro. Se isso é trabalho deles, se nós pagamos impostos, se é trabalho do Estado, eu tenho que pagar? Porque aqui tinha perigo, perigo da energia e tinha perigo das crianças. Isto vai ficar assim bem feio na rua? E se vier uma visita de fora, fica bonito?”.

A moradora ainda recomenda que perante estas situação, “tem mesmo que os chamar [a administração] porque se isso é um trabalho que posso fazer, eu posso fazer, mas isto é trabalho da administração...” e concluiu dizendo que “naquele tempo aqui, havia as pessoas que varriam na rua, agora já não tem, mas nós também conseguimos varrer na rua.


A OMUNGA já interveio de novo solicitando a intervenção urgente da administração municipal do Lobito para a remoção do referido tronco.



ELEIÇÕES LIVRES JÁ! - QUE ESTA PAZ SEJA CONTÍNUA E NUNCA MAIS TERMINE - MENSAGEM DAS AUTORIDADES TRADICIONAIS DO CAIMBAMBO

Fernando Soma, secretário do regedor do Caimbambo

ELEIÇÕES LIVRES JÁ! - QUE ESTA PAZ SEJA CONTÍNUA E NUNCA MAIS TERMINE, MENSAGEM DAS AUTORIDADES TRADICIONAIS DO CAIMBAMBO
Lobito, 14 de Abril de 2017

Fernando Soma, secretário do Regedor do Caimbambo, considera que “as eleições são um grande acontecimento onde todos nós e aqueles que completam os 18 anos de idade terão o direito de escolher aquele que será o dirigente.”

Disse ainda à equipa do projecto “Eleições Livres Já!” que, nos outros países onde já não existe guerra, acontecem regularmente eleições para escolher aquele que vai governar, o dirigente que governará melhor o país.

Por isso adiantou que “já que estamos em tempo de paz, queremos que esta paz seja contínua e nunca mais termine.”

Por último, apelou para que “toda a maldade que está no coração dos governantes que tem causado confusão entre as pessoas, a maldade que também está entre a juventude, que termine para sempre, porque estamos numa paz que nós construímos e o que nós queremos é união, que haja tranquilidade no país, onde cada pessoa escolhe livremente o seu governante. É este o acontecimento que se vai realizar no nosso país.


13/04/2017

PROJECTO COM CRIANÇAS CONTINUA EM ESCOLAS DO LOBITO

Alunos em sessão teórica da oficina de vídeo/jornalismo

PROJECTO COM CRIANÇAS CONTINUA EM ESCOLAS DO LOBITO
Lobito, 13-05-2017

Com o apoio da embaixada do Canadá e da Christian Aid, a OMUNGA deu arranque a actividades junto de crianças de 3 escolas primárias públicas do Lobito, nomeadamente do Bº da Luz, do Ngolo D’areia e do 27 de Março.

As actividades pretendem desenvolver nas crianças uma consciência ambientalista e de cidadania, através do desenvolvimento de habilidades, conhecimentos e de valores que permitam uma melhor integração da escola nas comunidades.

Desenvolvem-se diferentes oficinas como de vídeo/jornalismo, capoeira e teatro, para além de visitas direccionadas.
Alunos em visita ao atelier "Era Uma Vez"

Após as visitas, as crianças são orientadas a fazerem pesquisas sobre os temas abordados e posteriormente, fazerem apresentações nas escolas onde se envolvem as demais crianças, professores e encarregados de educação.

Para que as referidas apresentações tenham realmente o impacto desejado, avaliou-se o nível do conhecimento das crianças em relação ao uso do computador. Assim, elas vão começando a aprender o seu manuseamento e a utilização de alguns programas como o power point.

As crianças vão ainda organizar jornais murais onde podem publicar informações referentes à escola, à comunidade ou outras informações que considerarem úteis. Mais tarde, pretende-se que cada escola tenha a sua página no facebook. Para isso está-se ainda em discussão sobre a melhor forma e as regras a implementar já que os utilizadores são crianças e adolescentes e portanto devem ser protegidos dos perigos das redes sociais.

Depois de dois meses de arranque do projecto, ouviram-se crianças da escola do 27 de Março, da oficina de vídeo/jornalismo que neste momento estão precisamente a iniciar o uso do computador.



Aproveitou-se ainda para ouvir a avaliação que fazem os monitores destas oficinas.